terça-feira, 13 de julho de 2010

A ciência de inventar as coisas.

-Agora virei cientista.
-Como isso?
-É simples, eu descubro coisas novas através de uma metodologia.
-E isso é ciência?
-Claro ué. É isso que esses caras estranhos que ficam no laboratório fazem.
-Me explica melhor.
-Eles precisam descobrir as coisas, então começam a testar tudo através da experimentação, e aí tem um resultado. É o método empírico.
-Essa experimentação tem a ver com experiências?
-É, tipo. Pra descobrir se um material é inflamável, a gente põe fogo nele. Se vimos que pegou fogo, então a gente fez a descoberta de que aquele material é inflamável.
-Poxa, esse lance de fazer ciência é bem fácil então. Tem algum outro jeito de descobrir as coisas?
-Também tem o método racionalista, em que você descobre as coisas através da razão.
-Meu pai sempre tem razão.
-Não essa razão! Por exemplo... A gente sabe que quando neva faz frio, e a gente sabe que no polo norte neva, então podemos chegar racionalmente a conclusão de que no polo norte faz frio.
-Sem nunca ter feito uma experiência lá!
-Exatamente.
-Pô, legal. E você, descobriu o que com a ciência?
-Descobri que passarinhos azuis gostam mais de batata do que mandioca, que as nuvens são mesmo feitas de algodão e que pessoas com barbas longas conseguem ver além do infinito.
-Caramba! Como você fez experiências pra descobrir isso com o método empírico?
-Não fiz.
-Então quais os procedimentos lógicos que você teve pra chegar nas conclusões racionalmente?
-Nenhum também.
-Então como você fez?
-Inventei.
-Mas então não é ciência!
-Claro que é, tenho meu próprio método oras.
-E isso dá certo?
-Claro que dá, olha só, toda essa preocupação com genética e a evolução das espécies. Eu descobri que nós viemos de um planeta distante chamado Zarton, fugindo em uma perseguição espacial, de sapos gigantes que tinham uma máquina de fazer pesadelos.
-E aí?
-Então nós chegamos na terra mas a atmosfera transformou a gente em queijo.
-Queijo? que queijo?
-Queijo prato.
-Ok, continua.
-E aí com os milhões de anos o queijo mofou e do bolor surgiram os Biliabilomus, que são os nossos verdadeiros ancestrais. Eles foram se transformando em seres humanos aos poucos com a influência dos duendes.
-Existem duendes então?
-Existiam. Foram destruídos quando apareceu a internet. Com a internet ninguém mais precisa de duendes.
-Sua evolução das espécies é muito mais legal que aquela que aprendemos na escola.
-E é tão ciência quanto aquela. Mas aquela é mais interessante, então vale mais.
-Mais interessante?
-Nas ciências tudo é interesse. Por exemplo, se tem uma doença como a gripe suína que afeta principalmente quem viaja pro exterior, a ciência pesquisa a cura rapidinho. Se tem uma doença que só aparece nas populações pobres de países subdesenvolvidos, a ciência deixa pra lá.
-A ciência é má. A sua ciência não é má, então não deve ser ciência.
-Deve ser o que então?
-Poesia.
-E poesia lá tem a ver com ciência?
-Poesia é a ciência de inventar as coisas.
-Quem disse?
-Eu inventei. E com o seu próprio método científico, então é verdade.
-Droga. Ei, agora você é cientista também! Agora a gente vai estudar nosso método científico juntos!
-No laboratório?
-Não né.
-Então como?
-Lendo poesia, que é a ciência de inventar as coisas.

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