quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Oi, tudo bem?

- Oi
- Oi, tudo bom?
- Tudo e você?
- Também.
- Novidades?
- Nenhuma e você?
- Também
- Pois é
- É mesmo
- É o que?
- Não sei, por quê?
- Sei lá, você que disse.
- Não sei, você que perguntou.
- Perguntei?
- Perguntou. E acabou de perguntar de novo.
- Perguntei porque queria saber ué.
- E agora sabe?
- O que?
- O que queria saber.
- Não sei, se soubesse não tinha perguntado.
- Eu queria saber mesmo, é quando é que foi.
- Quando é que foi o que?
- Quando é que a gente desaprendeu a conversar.
- E conversar lá é coisa que se desaprenda?
- Acho que sem assunto bom a conversa deve atrofiar com o tempo
- Então o mundo começou atrofiado
- Como assim?
- Sei lá, acho que a gente nunca usou o mundo de um jeito bom, deve ter atrofiado com o tempo, aí deu nisso.
- E como a gente usa o mundo de um jeito bom?
- Sei lá, a gente podia aproximar as pessoas. Anda tudo acontecendo tão rápido. Até um pouco intenso. Mas também meio vazio.
- Você diz encher as coisas de sentido?
- Encher também não dá né. Sentido não é algo que se encontra fácil por aí. Era mais fácil encher de algo que tem por todo lugar.
- Podíamos encher de fumaça.
- Ou de solidão.
- "Digam o que quiserem, o mal do século é a solidão". Um cantor disse uma vez.
- Qual?
- Renato Russo.
- E ele era da Rússia?
- Não, era brasileiro mesmo.
- Então por que o nome?
- Não sei ué. Achei que tínhamos concordado que as coisas não têm muito sentido.
- Precisamos mudar isso então, dar sentido às coisas, aproximar mais as pessoas.
- Ah, mas é difícil.
- Dá pra tentar.
- Tudo bem, como a gente começa?
- Vamos tentar conversar, assim ficamos mais próximos, deve resolver alguma coisa.
- Tudo bem, pode começar.
- Oi, tudo bem?
- Tudo e você?
- Também.
- Novidades?
- Nenhuma e você?
- Também.

Um comentário:

cami disse...

ele curtia o Rousseau (: